Às 7 da manhã o celular tocou. O despertador enquanto som traz com ele as obrigações do dia. O som não é sacola, é chave, que abre as portas escuras das memórias, aquelas salas onde espalhamos os nossos afazeres, obrigações, desejos, delírios. Todos os nossos imperativos vão para lá, todo o TU-DEVES. Se fosse para pensar o aparelho psíquico enquanto linguagem como nos propõe Lacan, eu pensaria em quartos na nossa cabeça onde guardamos cada tipo de pronomes-verbo. Tem os quartos do TU-DEVES, do EU-QUERO, muito próximo do ELE-QUER, na verdade o quarto TU-DEVES se localizaria logo depois do EU-QUERO e do ELE-QUER, fazendo juz à esse mesmo pensamento, esses quartos estariam num longo corredor, com uma última porta trancada inscrita: VAZIO/FALTA, o que será que têm lá???
O despertador dessa vez não trouxe muitos TU-DEVES, logo o sono continuou, sem sonho. Quando Elle acordou, os imperativos fizeram mais uma tentativa de espezinhar sua cabeça. Algo aconteceu, porque dessa vez eles não tiveram sucesso.
O dia seguiu correndo com seus tédios mascarados de ação: televisão, computador, violão. O sol lá fora tava muito forte. O primeiro pensamento que Elle teve foi trocar de tédio e ir se entediar numa piscina. Descobriu que era segunda-feira. Os clubes não abrem. Lembrou-se da grama na esquina de sua casa. Pensou que poderia fazer uma poção quase-mágica: juntar um clima mais fresco, numa sombra, com alguns livros, cigarros e músicas. Uma boa forma de se entediar. Seria um tédio no mínimo refrescante.
Depois disso tudo, só cabia a ele, pegar os livros, comprar os cigarros, pegar o mp4, e claro não se esquecer do isqueiro. Foi o que ele fez.
De longe já avistara o lugar que passaria as próximas horas de sua vida. Uma esquina, em uma avenida movimentadíssima, em frente a uma escola. Essa esquina arborizada, gramificada e sombreada, fazem parte do território de uma Igreja de Mórmons.
Pensou que o barulho dos carros poderia distraí-lo, mas afinal ele trazia em sua mão um aparelho que além de ter tampões de ouvido, ainda emitiam musica por esses tampões de ouvido. Não tinha mais dúvida, seria ali o local escolhido para passar a tarde.
Se sentou, colocou os fones (tampões de ouvido musicados), acendeu um cigarro e pegou o primeiro livro dos três que trouxera. Era Sade. Um livro de contos curtos, um pouco brochantes para quem já leu Filosofia de Alcova do próprio Sade. Começou a ler mas logo queria outra coisa. O tédio ainda estava procurando o seu disfarce perfeito. Elle então pegou o próximo livro que tinha. Impressionantemente o outro livro que trouxera foi Filosofia de Alcova. Dessa vez queria ler, os prefácios, os posfácios, enfim, as periferias do livro. Aquelas coisas marginais que vão sendo escritas nos prés e pós livro. Um desses textos periféricos era a biografia de Sade. Quando um autor consegue excitar não só com a sua obra mas com a sua vida, fica mais claro entender o que é ser artista.
Elle logo no principio da leitura da vida de Sade, não suportou de tanta intensidade. Agora precisava escrever, entretanto não trouxe nada pra escrever, nem papel nem caneta. Porém, as idéias chegaram, precisavam se tornar algo. Correu à sua casa, pegou um caderno e uma caneta, saiu correndo, comprou mais um cigarro e voltou para a grama.
Na sua cabeça tudo era ainda principio de idéia. O corpo do texto que queria escrever, ainda era desconhecido. Diversas tentativas foram esboçadas no papel, mas nenhuma vingava. Ele era pego na armadilha das palavras. Aquele pensamento queria sair, mas tudo que tinha no corpo de Elle que era moral, não deixava. Quando começava a escrever o conto, começava a teorizar sobre, e explicar, explicar, explicar. A idéia desistia, o pensamento queria vir sem ser explicado. Por fim ele pode sair, depois de alguns dribles que Elle deu no tempo.
TERAPIA DO CORPO
Mauro escutou o despertador. Nem pensou nos TU-DEVES. A primeira visão que teve ao acordar foi o quadro dos relógios derretidos de Salvador Dali, um presente de sua esposa no dia de aniversário de 15 anos de casamento. Olhou para aqueles relógios, e ainda com o som do despertador, interpretou sua vida naquele quadro. Não pensou muito, levantou-se, foi tomar o banho. Sua mulher já tinha preparado o café-da-manhã. Essa cena é tão americana que poderíamos chamar esse momento de breakfast, e não de café-da-manhã. Na mesa uma conversa rápida, uma olhada nas notícias do jornal. Quando caminhava para o seu carro sua mulher grita:
- Mauro espera aí, você esqueceu sua gravata borboleta.
- Nossa, querida, ainda bem que você me chamou a tempo, porque senão teria que voltar aqui e poderia me atrasar. – mais um beijo, e pé na tábua-.
Nessas alturas já sabemos claramente a profissão de Mauro, psicanalista- Lacaniano.
Já no seu consultório, a secretária avisa:
- Tem cliente aí Dr. Mauro;
- Já vou atender.
Quando chegava, Mauro olhava cada canto do seu consultório. Abria as janelas, arrumava os livros, olhava nos cantos dos móveis se não tinha nenhum objeto de algum paciente do dia interior. Depois de se certificar de que tudo estava certo, ele se virou para sua biblioteca. Começou então a contar os livros. Tinha uma forma própria de identificar os livros. Quando olhava para sua biblioteca só via cores e tamanhos. Nunca via letras, somente objeto quadrados e coloridos. Entretanto, se alguém mexesse em um pequeno livro qualquer que fosse, ele notaria em poucos segundos. Nesse momento que olhava a estante ele ainda não tinha colocado seus óculos. Era sempre o mesmo ritual. Os óculos só eram colocados quando o primeiro cliente entrasse. Antes desse momento, Mauro ainda fazia uma última análise nos seus livros, olhava-os bem de perto, mas isso só acontecia com seus livros prediletos. Ele se aproximava e contava suas coleções de Freud e Lacan. Dava uma olhadinha também na sessão onde colocava Schopenhauer, Dostoievski, James Joyce, Sófocles e outros dramaturgos gregos, sua coleção de Sherlock Holmes e alguns livros menores; Kafka, Machado de Assis, Drummond. Depois da inspeção terminada só resta se sentar e chamar o primeiro cliente do dia, afinal ele já está sentindo a necessidade de usar seus óculos circulares.
Como um bom psicanalista que era, Mauro, ao ver o movimento da maçaneta da porta que indicava que seu cliente entraria, ativou o botão no seu cérebro que ligava a função –analisar-. A primeira descoberta que fez era que não entraria um cliente, mas uma cliente. Quando a viu, ele logo foi identificando-a pelas suas faltas: Ela não era magra, nem alta. Não usava brincos, aliança, nem óculos ou relógio. Não tinha seios pequenos, e nem parecia ser muito falante. Não tinha cabelos longos nem curtos. Portava apenas uma pequena bolsa.
- Ela não tem nada – foi o que ele concluiu depois da primeira inspeção.
Como se não bastasse, quando ele a cumprimentou, ela apenas acenou com a cabeça. Ultima análise: ela também não fala, deve ser muda.
Mauro, depois de 15 anos trabalhando com isso, nunca se sentira tão apavorado. Ele, acostumado a ajudar as pessoas a lidarem com suas castrações, seus vazios, suas faltas, não suportou ver ali na sua frente alguém com tantas faltas, concluiu pela segunda vez:
- Nela falta tudo, ela é pura falta.
Se fossemos concluir antecipadamente diríamos também:
- Ela não tem beleza nenhuma, como é feia, vazia.
Mauro se sentou, tentando se controlar. Disse para que ela se sentasse, ela o escutou e sentou logo em seguida. – pelo menos ela me ouve – foi o que Mauro descobriu.
- Como começar?, será essa mudez uma histeria clássica? Se ela não fala, o que faço?- pensou.
Essa última pergunta despertou em Mauro algumas memórias. Mauro em todos esses anos de clínica não havia dispensado nenhum paciente por se sentir incompetente. Sempre fora um cara muito inteligente. Um dos melhores do seu país em Lacan e Freud, afinal aprendeu a língua alemã e francesa para ler os originais de seus heróis. Em seu consultório havia diversos diplomas, fotos, honrarias que recebeu em seus anos como teórico. Diversos artigos publicados, em revistas alemãs, francesas, argentinas, brasileiras. Dr. Mauro, médico-psiquiatra-psicanalista, se lembrou de aulas, textos, livros e artigos que tratavam do tema: Psicanálise e corpo. Era o doutor das palavras, mas dessa vez não tinha jeito, teria que descobrir o que era esse tal de corpo.
Depois de alguns minutos no silencio completo, como que no impulso, ele se levantou e tocou no braço de Cisza. O nome dela estava escrito em sua mesa, com a letra da secretária. Como nunca havia ouvido aquele nome, não sabia antes se era mulher ou homem.
O primeiro toque em Cisza, Mauro sentiu como uma carga e descarga elétrica ao mesmo tempo. Lembrou-se da ultima vez que tocou alguém que não fosse sua mulher. Foi no inverno passado, quando sua irmã se despediu dele para ir estudar na França.
Cisza nesse momento olhou Mauro nos olhos e ele se petrificou, era quase uma Medusa. O seu rosto, até então diagnosticado como feio, foi sendo notado. Era vivo o olhar, a boca sem marcas de sorrisos forçados, as sobrancelhas sem formas geométricas definidas, na realidade ela quase não tinha um rosto definível, era um rosto sem rosto. O rosto de Cisza não revelava nada sobre ela. Mauro não conseguiu entender. Ele era um ótimo leitor de expressões e micro-expressões.
Quando se sentiu tocada Cisza respirou fundo e fez como que se fosse dizer algo. Por milésimos de segundos passou pela cabeça de Mauro que ela diria algo, seria um milagre. Se isso de fato tivesse ocorrido, Mauro sairia pregando pelas ruas da cidade dizendo que basta ser tocado por ele que qualquer um seria curado. Mas ainda bem que isso de fato não ocorreu, um só Jesus já basta.
Aquele movimento de ar - de boca- , que Cisza fizera se mostrou então para quê veio. Ela se abaixou, abriu as calças de Mauro, as abaixou calmamente, pegou uma tesoura na bolsa, cortou a cueca super branca, e começou a chupar o pau do Dr.. Ele agora não sabia o que fazer. Era como sonho. Ele queria se mexer, fugir daquilo, mas seu corpo estava todo petrificado, não só no sentido metafórico. Seu pau estava duro como uma rocha. Todo o seu corpo enrijecido. Cisza chupava, lambia, beijava, acariciava com a língua, com o céu da boca, cada pedaço do enorme pau do Dr.. Ele nunca havia sido chupado daquela forma, não daquela forma. Conforme ia chupando, Cisza ia empurrando o dr para perto do sofá, que na linguagem psicanalítica é tão famoso como o Divã. Quando ela chupava até o final o pau, Mauro quase gozava. Só se segurava porque nunca havia gozado na boca de uma mulher, sua mulher achava porra nojento. Cisza tirou o resto de roupa que ainda tinha no corpo dele, desabotoou a camisa numa puxada só, e o deixou vestido apenas de sua gravata borboleta. O dr agora não era mais doutor, era um objeto de Cisza, vestido apenas com a gravata, que o fazia parecer mais com um gogo boy garçom, do que com um médico. Quando deitou no sofá, Mauro ainda tentou mexer com os braços, já com a intenção de dominar aquela fêmea, só não sabia se queria dominá-la para acabar com aquilo ou para pedir mais. Não importa. Com a própria roupa que estava no chão ela amarrou Mauro com as mãos nos pés do divã. Começou a lamber os pés já descalços do Dr.. Da mesma forma que fazia com o pau, fazia com o pé. Levantou as pernas de Mauro como ele tantas vezes já fizera com sua mulher, e começou a chupar também o cu do dr. Ele tentou fazer com que ela parasse, mas naquele momento ela era muito mais forte que ele. Lambia, chupava, enfiava a língua, tudo com muita saliva e muito silêncio. O som mudo tomou aquele consultório. O silencio. Enquanto o masturbava, ela continuava a unir boca e cu, tudo com muita saliva. Mauro gemia, gemidos quase femininos, mas sua voz grossa, não deixava duvidas era um homem gemendo com a graça de uma mulher. Ele não trancava a porta. Por mais que sua secretária sempre batia quando precisava entrar, ele pensou que ela poderia ouvir isso. Ficava preocupado, mas cada vez mais excitado do que preocupado.
Ela tirou o vestido de flores amareladas que vestia. Não tinha mais nada por baixo. Colocou os seios na boca de Mauro, que começou a chupar como um recém nascido com fome. Logo ela tirou. Olhou no olho dele e começou a chupar os mamilos do doutor, terna e calmamente. A língua meio-molhada, fazendo movimentos circulares, como o óculos do dr. que estava no chão. Dava pequenas chupadas nos mamilos de Mauro e cada vez mais seu pau ficava duro. Colocou de novo os seus grandes seios na boca dele que, agora sabia como fazer. Nas longas discussões de relacionamento que tivera com sua mulher, Mauro nunca havia perguntado como ela gostava de ser chupada, Cisza já disse sem rodeios. Depois que o dr. aprendeu que a boca era mais eficaz chupando do que falando, ela o permitiu chupá-la. Como ele estava amarrado, ela precisou levar sua buceta à boca dele. Já estava toda molhada, com o clitóris pulsando. Os pelos na cara não o incomodavam nem um pouco. Ao contrario, trazia cheiros que só os pelos conservam. Ele agora sabia como fazer. Lambia o clitóris, essa maquininha de prazer, e dava pequenas chupadas também. Ela estava muito molhada, se derramando. Ele não resistiu, quis beber daquele liquido. Como um cão, enfiou a língua o mais fundo que conseguiu e sugava aquele líquido com violência e cuidado. Viu o cu. Nunca tinha chupado um cu. Essa era a hora. Fez como Cisza te ensinou, no seu próprio. Queria soltar as mãos e pegar naquela bunda. Duas montanhas, com um vale suculento no meio. Não podia, suas mãos acariciavam os pés do sofá. Não eram tão fartos como a bunda de Cisza, mas ele tão acostumado com as metáforas, não teve problema em transformar aqueles pés magrelos do sofá, numa bunda carnuda. Ele sabia também que as metáforas nunca dão conta de representar o real na sua totalidade, se contentou, como faziam seus pacientes.
Cisza já queria ser penetrada, e decidiu sozinha, que o dr. também queria. Virou de costas e empinou a bunda na cara de Mauro, ele pôde ver e sentir o cu mais de perto. Ela fez isso para pegar sua bolsa. Tirou lá de dentro um objeto fálico. Não era desses pintos artificiais de sex shop. Era um objeto com mais ou menos 15 cm de tamanho e 9 de espessura. Quando viu aquilo, ele entendeu tudo, e justificou para si que ele não conseguiria jamais quebrar o nó, quase um nó de borromeu, que ela havia dado em suas mãos. Cisza ainda em silêncio, colheu líquidos que estavam jorrando da sua buceta e com as mãos encharcadas passou no seu cu, que agora queria ser penetrado pelo grande pau do Dr.. Ainda não era a hora. Foi de novo pegar a água da fonte, e molhou também o cu de Mauro. Foi saindo aos poucos da boca dele, que ainda a chupava e foi escorregando até se colocar bem em cima do pau. Com o cu já todo molhado, pegou o objeto que trouxe e foi simultaneamente enfiando o objeto no rabo do dr, e sentando com seu cu no pau dele. Mauro não teve reação, era prazer demais. Conforme sentava e levantava, Cisza ia também enfiando e tirando o seu FALO do cu do dr.. Agora sim ele gemeu como uma fêmea. Cisza se contorcia, mas não liberava nenhum som. Nem um curto gemido ela esboçou. Com uma mão enrabava o dr., com a outra se masturbava, tudo isso se equilibrando em cima do pau.
Mauro estava prestes a gozar, mas quando Cisza notava que a porra estava vindo, ela parava tudo e lançava um sorrisinho de soslaio para ele. Ele queria se libertar, libertar as mãos, mas a garota do silencio sabia que se o libertasse naquele momento ele a espancaria de tanto tesão que ele estava sentindo. – ainda não é a hora. – pensava ela. Cisza se virou de frente pra ele, largou o objeto 2/3 dentro do cu do dr, e se sentou com sua buceta úmida no pau pulsante. Mauro fazia pequenos movimentos com o cu. Aquele objeto lá era muito angustiante, ele queria movimento. Queria expulsar o objeto, mas quando ele começava a sair o dr. trancava de novo, não queria mais ficar sem. Enquanto isso, ela literalmente cavalgava em cima da benga do dr.. Ele gemia cada vez mais afoito e feminino. Cisza começou a dar tapas estalados na cara de Mauro, tudo isso enquanto pulava freneticamente em cima dele. Ele já não via um rosto desrotificado ali como viu pela primeira vez. Agora ele só via as cores do rosto de Cisza. Não tinha formas. Só expressões de cores e gestos. Não tinha palavras também. Quando ele olhava demais a ponto de ver quem era aquele ser que o dominara, ela dava mais tapas na cara. Mauro nunca esteve com o rosto tão ruborizado, nem quando se envergonhava na infância ao conversar com garotas..
A cada tapa que dava, Cisza notava que o Dr. se aproximava do momento de gozar. Quando ele já estava quase a explodir, ela tirou o objeto do cu dele, e saiu de cima do dr.. Ele já estava maluco, ela não podia fazer isso, ele queria gozar. Se tivesse as mãos livres se masturbaria e estava tudo resolvido, mas ela tinha pensado em tudo. Cisza se sentou na cadeira que ficava do lado do divã. Uma grande cadeira. Uma simulação de trono. Acolchoada, giratória. Ela se sentou e começou a rodar na cadeira e se masturbar. Ela tremia cada pedaço do corpo. Quando mais ia rodando, mais ia se excitando e mais intensos ficavam seus movimentos no clitóris. Nisso Mauro tinha o pau mais rígido e grosso do que um tronco de mogno, vibrando no ritmo das vibrações do corpo de Cisza ao se masturbar. Enfim ela não se segurou. Seu clitóris estava tão rígido, ou mais, do que o pau de Mauro. Ela gozou, sozinha na cadeira. Ele pela primeira vez viu uma mulher gozar na sua frente. Essa foi a conclusão que ele tirou, quando a viu olhar para os céu dela mesma. Os olhos se contorciam como que se quisessem olhar o que tem do lado de dentro. O corpo todo estremecido, as pernas bambas, a buceta encharcada, e no ar aquele cheiro que ele só havia sentido nos pelos dela. Quando ele ainda estava lá, só observando uma mulher gozar como nunca tinha visto, ela se levantou com as pernas bambas e ainda se tocando, agora com menos força, mas pulsando com mais intensidade, e começou a chupa-lo de novo. Foram três chupadas pra ele não se agüentar mais e espirrar um, dois, três, quatro jatos de porra na boca dela.
Cisza parou de se masturbar, e com a boca cheia daquela porra, densa, que parecia estar sendo fabricada naqueles testículos a semanas, beijou o Dr. na boca. Um único beijo que deixou toda a porra na boca dele. Ela ainda teve forças pra segurar a boca dele, fazendo com que ele engolisse a própria porra.
Se levantou, pegou sua bolsa. Ainda nua, guardou o objeto e a tesoura na bolsa. Jogou o vestido no corpo, e antes de sair se virou para o doutor, que ali deitado só se lembrava que havia visto uma mulher gozar 4 vezes na sua frente.
- Acho que a sessão acabou né Dr. Mauro? Posso vir semana que vem pra gente continuar a análise?
Quem estava em completo silêncio era Mauro. Seu rosto, agora, parecia sem rosto.
Logo depois que Elle acabou de escrever Terapias do corpo, a música também parou. Kurt Cobain que estava cantando nos fones, deve ter se retirado para se masturbar, ou comer alguém. Não importa. As baterias acabam, e essa resolveu acabar agora.
O som que se ouvia agora era o som da cidade. O som da natureza, a natureza da cidade. Elle ainda estava no mesmo lugar, com as formigas passeando em cima dele. Ele tinha viajado longe pra encontrar Mauro e Cisza (que em polonês significa silêncio). Cisza se foi e com ela o silêncio. Agora Elle tinha que conseguir produzir silêncio, pra continuar naquele lugar. Fazer o mundo parar, como Castanheda, só que ele não tinha um Dom Juan para guiá-lo.
Aqueles sons invadiram sua cabeça e foram produzindo pensamentos. Cada carro que passava aumentava a força daquele pensamento que tava querendo nascer. Dessa vez não era ao som de Nirvana. Como já disse, os sons, assim como as cores, as texturas, os calores, são chaves. A chave Nirvana abriu as portas para nascerem Mauro e Cisza. Já esses sons da cidade abriram outra porta, uma que estava trancada à meses. Há muito tempo Elle não ia lá.
Quando começou a ouvir só carros, vozes imperceptíveis, megafones em carros, caminhões, ônibus, som de serralheria, de supermercado, de açougue, tudo invadindo a rua, ele pegou o terceiro livro que ainda não tinha lido. Era Deleuze, filósofo francês, que há quase um ano tem o acompanhado em diversos caminhos do pensamento. Só que dessa vez as palavras se encaixaram e trouxeram um entendimento que caras como Kafka, Artaud e Van Gogh, já explicaram à Elle há muito tempo, mas só agora ele entendeu.
As cidades modernas são na verdade mega-indústrias com roupa de cidade. Cada coisa, cada pessoa, cada animal, que compõem a cidade são na verdade máquinas de fazer dinheiro. Cada pessoa que Elle via, ele notava um operário. Do pastor ao artista, do pedreiro à dona de casa, do empresário a prostituta, da polícia ao estudante, do traficante ao apresentador de TV, do psicólogo ao Garçom, do Presidente ao líder comunitário, ad infinitum, todo mundo produzindo dinheiro, escravos-operários-colaboradores da maquina virtual dinheiro.
Elle era Gregor Samsa, se viu transformado num inseto. Ao mesmo tempo se sentiu como Josef K, preso e sujeito ao longo e incompreensível processo por um crime não revelado.
A liberdade é crime dentro da mega-indústria. A definição de crime se tornou clara para ele: qualquer ação que crie a possibilidade de liberdade. Cada criminoso, ganha um rótulo específico: o pecador, o perverso, o drogado, o louco, o anarquista, o vagabundo, o bicha, a sapatão, o pedófilo, o assassino, a puta, o corrupto. Cada qual com o seu grau, é punido com formas próprias, penitência, hospício, prisão, morte, convento... . O sexo é dominado pelo discurso, pelas armas ideológicas, pelas máquinas-morais; algumas mais primitivas, como o cristianismo com sua moral do medo, do pecado original, do apocalipse. Outras mais sofisticadas como a psicanálise, com suas castrações, seus vazios, faltas, fantasmas. Uma vez dominado, o sexo, a libido e toda a energia vital dos sujeitos (homens, mulheres, cães, pássaros), todos se voltam para as mesmas máquinas-morais e fazem a pergunta: o que eu faço agora? A publicidade assume o comando e começa a ditar: seja sexy, produza corpos musculosos, use, leia, veja, coma isso, agrade a academia, agrade a deus, agrade, agrade, agrade, e será agradecido. Essa é a lógica. Elle percebeu que tudo isso mexe diretamente no sistema nervoso, nas sensações, nas percepções. Sentiu-se ainda mais condenado quando se lembrou de Kant e seu imperativo categórico: "Age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, por tua vontade, lei universal da natureza". Isso faz com que todo mundo acredite na vontade do “eu”, tolice humanista-cristã, no livre-arbítrio, outra tolice humanista-cristã. O passo seguinte é querer que todos sigam o que se acredita ser uma vontade própria. Por mais angustiante que estava sendo a experiência de se ver inseto, Elle quis continuar a pensar, e entendeu por onde todo esse processo acontece. Escreveu outra vez no seu caderno.
As máquinas virtuais são exímias produtoras de formas. Não sabem produzir conteúdos. São máquinas que produzem caixas vazias. Têm em sua configuração um banco de dados de todas as formas de tirania já produzidas pela humanidade. Nela vemos o discurso do profeta, do sacerdote, do sangue-puro, da raça ariana, do imperador, do patrão, do Édipo... O sexo é o conteúdo. A vida que jorra de tudo, a libido, é capturada e embalada numa dessas caixas vazias, prontas para serem comercializadas. Pra essa máquina se manter ela precisa sempre renovar o conteúdo. Logo o artista é chamado. As minorias são chamadas para falar. Na sua ânsia de dizer, diz tudo, e logo é formalizada. Che, revolucionário, vira camisa por 80 reais. As drogas,(da cerveja ao crack) grandes armas para se quebrar o sempre contaminado pelo tirano, esquema sensório-motor, são pseudo-proibidas gerando desejo, e criando cada vez mais zumbis. Se eu não achar uma saída possível pra isso, não volto pra casa. Vou virar grama.
Depois de 20 minutos pensando, fumando e tentando achar uma resposta possível, Elle ouviu burburinhos estridentes e cada vez mais intensos. Eram crianças. A escola havia libertado os detentos. É como uma prisão, com a diferença que; na saída da penitenciária o adulto que tinha ali perdeu toda a potencia. Já as crianças são mais difíceis de formalizarem, de se deixar sugar até o fundo pelos sanguessugas, elas ainda estão produzindo devires loucamente. Todo o redor de Elle foi tomado por crianças, gritando, correndo, pulando, xingando, batendo uma nas outras, jogando bola e jogando bombinhas por todo o canto. Uma dessas caiu em cima do colo de Elle. Quando o menino, dono da bomba ia pedir desculpa, Elle olhou pra ele e perguntou:
- Como funciona isso? – ele nunca tinha visto aquele tipo de bomba, era uma bola de pólvora pura, que dava uma explosão com a intensidade das agora antigas bombas garrafão, sem necessidade de pavio e fogo, era só jogar no chão e pronto, ouvia-se o estrondo.
Quando jogou no chão, a bomba pulou como uma bola de tênis e se desfez em mil, produzindo um som impressionante. Com aquele som das crianças, e depois das bombas, Elle se sentiu vivo de novo, pelo menos era possível isso.
Voltou a ler, e o titulo do texto era: o que as crianças dizem! O inseto, ainda inseto descobriu que não precisava ser homem, podia ser inseto, desde que aprendesse a voar, a nadar, a correr, a dançar. Descobriu que o inconsciente é um vasto e ilimitado campo de intensidades, um grande deserto de cores, sons, sabores. Sem raízes, só redes, rizomas. As raízes são invenções do tirano, fora e dentro de nós. A vontade de julgar, de estabelecer dicotomias em tudo, Bem/mal, Feio/belo, Vicio/virtude, constrói as raízes, popularmente chamadas de estruturas. Desde Platão é assim, o princípio do ocidente.
A saída que Elle tanto precisava pra continuar existindo, foi aprendida naquela mesma escola que libertou as crianças. Um professor de geografia que chegou um dia e impôs pra turma, vamos desenhar mapas. Eureka. O caderno novamente volta ao palco.
Tudo é terra. Territórios, paisagens, montanhas, mares, nuvens, fogo, água.
Quando os pré-socráticos dizem isso, nós, os exaltadores das metáforas, pensamos que tudo isso é analogia. Não.
Se pegarmos o mapa das Europas de três períodos históricos diferentes começamos a entender isso. A estrutura geográfica desse lugar se modificou muito pouco com o decorrer dos anos. Ela se modifica, mas essas mudanças da matéria são constantes e lentas.
Já as linhas abstratas que determinam países, continentes, cidades, essas se modificam a cada nova revolução, a cada nova guerra. Elas são feitas de mudanças bruscas. Buscam sempre a estabilidade. Como é tolo pensar que o que chamamos hoje de França, daqui à 400 anos será chamada de França ( quem sabe o próximo nome será China). As linhas territoriais buscam sempre se fixar, e dão a todos o que estão imersos nela uma ilusão de que elas sempre foram e sempre serão assim, uma determinação que vista com olhos históricos, com olhos foucaltianos, demonstram sua efemeridade e fragilidade. A natureza não trabalha com limites, eles surgem dos encontros. A natureza trabalha somente em nível molecular, e sempre dinâmico, trabalha com a lógica do ilimitado. A linha que separa praia e mar é ilusória. A água do mar faz dobras com a areia, faz junções e nunca separações, e até mesmo esses pseudolimites são sempre oscilantes, são feitos de movimentos, de ondas.
A natureza, o encontro dos acasos, por exemplo entre duas placas tectônicas, modifica a terra. As linhas abstratas são construídas pelos tiranos, coletivos ou individuais. As linhas do mapa Mundi atual que nos contam histórias das mais diversas, revelam uma coisa em comum, foram impulsionados pela vontade de poder, e mantidas pela força das armas, as de ferro e pólvora, mas com mais força as armas ideológicas. Os ideais de liberdade, fraternidade e igualdade foram muito mais poderosos do que toda a arma de fogo e espadas, na revolução francesa.
Vamos ao pensamento. Quando no inicio me recorri a fala quase delirante dos pré-socráticos, pretendia me fazer claro aqui. Não estou propondo metáforas, nem analogias. Somos terra. Não espíritos. Não almas.
O que há em nós de espírito, é linha. Linhas abstratas e concretas; seria ingenuidade não pensarmos hoje, depois de tantos avanços da neurociências, que as linhas abstratas que compõem nosso espírito, não seriam na verdade, linhas concretas ainda não totalmente identificadas, devido à complexidade das relações entre, sinapses, neurotransmissores, neurônios... Na realidade isso importa muito pouco pra nós nesse momento. O que importa é enfim entendermos os filósofos da imanência. De Heráclito, aos Estóicos, ao príncipe Spinoza que dizia DEUS é natureza. Não podemos nos esquecer de citar Nietzsche e Deleuze.
O que esses caras disseram, agora pode ser entendido. O “eu” nuclear não existe, corajosamente desbancando Descartes, Platão, Cristo, Freud. Nós somos agrupamentos de forças, de emoções, de percepções, de afetos. Somos emaranhados de moléculas. Somos rede, dentro de redes das mais diversas e dinâmicas. Cada pensamento propõe uma ética, um Ethos ( modo de vida).
Tudo o que chamamos de indivíduos, pedra, sol, leão, homem, são forças caóticas e multiplas unidas em um determinada configuração. Há uma definição. Definir significa dar fim, limites. Quanto mais limitado mais fácil fica pra entender e lidar. Esse princípio nos remete a Navalha de Okam por exemplo. Mas é necessário antes de tudo pensarmos que, tudo o que tem nome tem uma definição, em si e na linguagem.
Somos terra, como já disse, mas o que chamamos de “EU”, é território. É mapa construído a partir de linhas abstratas, que se tornam cada vez mais concretas. A grande terra que somos nós, são transformadas aos poucos, em continentes, países, cidades, bairros. Isso acontece quando começamos a nomear as coisas. Nomear afetos, nomear pessoas, nomear órgãos. As linhas ( chamarei a partir daqui sempre de Linhas, o que já expus como sendo linhas abstratas e concretas ) constroem órgãos virtuais. A consciência é o mais novo órgão do ser vivo.
O mundo sempre tende ao mais organizado, é isso o que traz a idéia da termodinâmica. Com a entropia (o calor que escapa), os planetas, estrelas, galáxias vão ficando cada vez mais frias, buscando o estático. A vida na terra contrapõe a termodinâmica ao pensar o ser vivo como um ser que busca a maior complexidade, na contramão das estrelas. Essas duas concepções podem ser provisoriamente traduzidas por dois prefixos: ex-pressivo, ex-terior, ex- terno, e in/im-pressivos, in/im-terior, in/im-terno. Ou seja, ex (pra fora), in/im (pra dentro).
Nesse caso poderíamos pensar que tudo que existe busca se tornar cada vez mais in/im, o mais igual a si mesmo., o exemplo disse é a teoria das idéias de Platão, o principio da não contradição. Como tudo tem uma ex-exceção (o q escapa), o ser seria essa ex-cessao, já que não busca ser igual a si mesmo, mas o mais diferente de si mesmo. Sempre buscando o Devir. Isso é Devir, o foco não está no que eu sou, mas no que eu posso vir – a – ser, e logo no que eu posso deixar – de – ser.
Voltemos ao pensamento. As psicologias ( psicanalise, behaviorismo, humanismo...) que seguiram a corrente Platao, Aristoteles, descartes, Newton, Kant, buscam as “verdades da subjetividade”; pra isso se constrói territórios. Com nomes variados, Édipo, reforço e punição + estímulos discriminativos, tendência à atualização.
O nômade explora a terra, o sedentário constrói territórios, cidades, países. O nômade precisa de uma simples vela para iluminar quilômetros no escuro do deserto, o sedentário precisa de anos de trabalho pra inventar a luz elétrica, a lâmpada que iluminará poucos metros quadrados. O nômade só almeja encontrar ervas e água, e quando as encontra se satisfaz e busca novas terras. O sedentário quando encontra um oásis se apaixona por ele e constrói cidades, deixando assim de conhecer terras estranhas. As cidades estabelecem as relações de senhor e escravo.
No território, estabelecido pelo sedentarismo, as leis são estabelecidas pelo tirano, pelo sacerdote, pelo ditador. A família nuclear burguesa, por interesses econômicos, sedentários, constrói o território Édipo. Cada terra, cada um de nós é tomado por essas linhas abstratas que o tirano estabeleceu. Freud/Lacan foi um geógrafo, historiador, sociólogo, que compreendeu muito bem as regras desse território Édipo, ele existe. Entretanto, eles se aliaram ao tirano, quando disseram que esse mero território é a terra. Não, é só um território, como já entendemos nós, somos terra, sem linhas abstratas chamadas Europa, América, somos terra com possibilidades de não só em entrar em territórios, mas é preciso antes de tudo construir nossas próprias linhas, juntar linhas.
Elle estava num estado tão efusivo que quando escreveu seus pensamentos, já se viu sendo um livro, um folhetim, um artigo. Será que isso é vontade de potencia? – se tornar mais forte – , ou vontade de poder? – arrebanhar pessoas-. Pouco importa nesse momento, já que o dia de Elle continuou, e com mais descobertas.
Depois de um banho, recarregou a bateria e os conteúdos do seu aparelhinho cantador. Colocou os tampões musicalizados nos ouvidos, e partiu com sua bicicleta para uma aula de filosofia da arte.
O professor, cabelos brancos, passava slides com quadros de Rubens, pintor barroco do sec XVII. Elle não ouviu nenhuma das explicações do professor, que só sabia dizer de simbologias das cores e contar os mitos. Para Elle, não importava o que aquilo significava, ele estava agora imerso naquelas cores, dobras, expressões. O jardim do amor, Vênus ao espelho, Andrômeda, Rapto de Europa, Leda e o cisne, Dança dos camponeses, União entre Terra e Oceano, e por fim a aula termina com a morte de Sêneca. Como se saísse de um concerto de Stravinsky, Elle estava extasiado com tanta beleza. Tinha conseguido ouvir as notas daqueles quadros, e eram músicas novas pra ele, cada acorde novo que Rubens tocava, abria um leque de mundos possíveis.
Já era noite, e Elle só queria chegar em casa para escrever cada afeto vivido nesse dia.
Agora quem canta no seu ouvido é Raul Seixas. Elle olha despropositalmente para o lado e vê Luzia, uma bela e enigmática dançarina. Luzia convida Elle para uma breve sessão de chá hidropônico. Sem se explicar os dois conversam quase em silencio, Dois aprendizes do silêncio quando se encontram, conversam apenas para se sentirem normais, porque os dois sabem que eles se entendem por outras vias.
Elle já tomado de um êxtase artístico, e agora afetado pelo chá, continua seu percurso. Vai à biblioteca e se encontra com mais Kafka. Quando entra na biblioteca é invadido por uma frase no espelho: “Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de biblioteca.”Borges.
Essa frase vai transpassar Elle daqui a pouco. Antes de ser guiado por essa frase Ele continua seu percurso. Agora se espanta com o que está ouvindo naquele aparelhinho que o acompanhou durante todo o dia. O testamento mais bonito que já viu. Raul Seixas na última musica de seu disco Metro Linha 743, se despede de Elle como só um Nietzsche, ou um Bob Dylan fariam;
Geração da LUZ
Eu já ultrapassei a barreira do som
Fiz o que pude às vezes fora do tom
Mas a semente que eu ajudei a plantar já nasceu!!
Eu vou, eu vou m'embora apostando em vocês
Meu testamento deixou minha lucidez
Vocês vão ter um mundo bem melhor que o meu!!
Quando algum profeta vier lhe contar
Que o nosso sol tá prestes a se apagar
Mesmo que pareça que não há mais lugar
Vocês ainda têm, vocês ainda têm
A velocidade da luz pra alcançar
Vocês ainda têm, vocês ainda têm
A velocidade da luz pra alcançar
Além, depois dos velhos preconceitos morais
Dos calabouços, bruxas e temporais
Onde o passado transcendeu há um reinado de paz!!
Vocês serão o oposto dessa estupidez
Aventurando tentar outra vez
A geração da luz é a esperança no ar!!
Quando algum profeta vier lhe contar
Que o nosso sol tá prestes a se apagar
Mesmo que pareça que não há mais lugar
Vocês ainda têm, vocês ainda têm
A velocidade da luz pra alcançar
Vocês ainda têm, vocês ainda têm
A velocidade da luz pra alcançar.
Depois disso Elle só tinha uma vontade, escrever todos esses encontros e dá-los como carta para os seus amigos. Criar mais paraísos.
Quando já estava quase chegando em casa, o telefone toca. Outra bela, e também dançarina quer conversar. Quer contar seus amores, seus pensamentos, e principalmente seus desamores. Elle não tem mais “Eu” nesse momento. Ele se segura para não deixar escapar tudo o que viveu, acredita que precisa ser escrito, porque se for falado, só essa dançarina saberá. Se for escrito, outros podem se sentir impulsionados a dançar também. Depois de ouvir diversas historias de medo, Elle, já se sentindo quase um Sêneca, se permite receitar algo. Aconselha à dançarina uma pequena dose de Raul, misturada com dois quadros, Um papa calado, de Velásquez, e outro no meio de um grito efusivo, de Bacon. O telefone desliga e nada mais impede de dar um desfecho no seu dia.
Ele se prepara, ingere alguns suculentos pedaços de fígado bovino com cebolas, se senta em seu computador, e começa a escrever o que aqui se finda.
Post scriptum: Inspirado no filme La belle de Jour de Luis Buñuel, quanto à forma.